Case

Nove fundadores, três dias, nove projetos no ar

Fui mentor na imersão Founders AI do Paris Group, em Chapecó. Acompanhei nove empresários do gargalo real ao produto funcionando — e apresentei o ConectaAI com uma ligação atendida ao vivo por IA. O que faz uma imersão entregar em três dias.

17 ago 2026·7 min de leitura·.md

Passei três dias em Chapecó como mentor da Founders AI, a imersão de IA do Paris Group. Acompanhei nove fundadores do gargalo real até o produto funcionando, e apresentei o ConectaAI para a sala — incluindo uma ligação atendida ao vivo por um agente de IA.

Este texto é o que eu tirei de lá. Não é relato de evento: é o que faz uma imersão dessas terminar com produto no ar em vez de terminar com um caderno cheio de anotações.

Abrindo a apresentação do ConectaAI para a turma

O formato é o que segura a entrega

O Paris Group chama de Operator Sprint: bloco curto de conteúdo, bloco longo de execução, repetindo por três dias. Parece detalhe de agenda. Não é — é a decisão que define o resultado.

A imersão comum inverte essa proporção. Passa o dia inteiro explicando o que é RAG, o que é agente, o que é fine-tuning, e reserva a última hora para "colocar em prática". O participante sai com repertório e sem produto. Duas semanas depois, esqueceu o repertório também.

Quando a maior parte das horas é de execução, três coisas mudam. O participante bate no problema real ainda dentro da sala, com mentor ao lado — e problema real é sempre diferente do problema imaginado. A dúvida aparece no momento em que ela importa, não numa sessão de perguntas no fim. E o escopo se corrige sozinho: ninguém sustenta uma ideia grande demais quando precisa mostrar funcionando na quinta.

Formato de execução: bloco curto de conteúdo, bloco longo de construção

O que trava não é a tecnologia

Mentorei nove fundadores nesses três dias. Nenhum deles travou por causa de modelo, prompt ou ferramenta. Todos travaram, em algum momento, no mesmo lugar: escopo grande demais.

O pedido chega quase sempre assim: "quero colocar IA no atendimento". Isso não é um projeto, é uma categoria. Não dá para entregar, não dá para testar, e principalmente não dá para saber se funcionou.

O trabalho do mentor, na prática, é quase todo aqui — transformar categoria em recorte:

Repare no padrão: o recorte bom tem número, tem dono e tem um jeito óbvio de saber se deu certo. Depois que o escopo fica desse tamanho, três dias é tempo de sobra. Antes disso, três meses não bastam.

Os nove entregaram. Não porque a ferramenta era mágica, mas porque o problema tinha o tamanho certo.

A demonstração: uma ligação atendida por IA, ao vivo

No segundo momento eu apresentei o ConectaAI — o call center de IA que a gente construiu para provedores de internet — para cerca de cinquenta pessoas.

Podia ter mostrado slide de arquitetura. Preferi ligar.

A demonstração: uma ligação atendida ao vivo por um agente de IA

A ligação foi atendida por um agente de IA, ao vivo, na frente da sala. A pessoa falou como fala com qualquer atendente — sem menu, sem "digite 1", sem falar devagar para a máquina entender.

O que surpreendeu a sala não foi a voz soar natural. Voz natural já virou commodity: qualquer um monta uma demo bonita com TTS bom. O que muda o jogo é o agente fazer algo enquanto conversa — consultar o sistema do provedor, confirmar dados do assinante, executar a ação e responder com informação real, não com texto genérico.

É essa a diferença entre demo e produto, e é a mesma tese que eu repito no resto do site: atendimento que não para às 18h. A ligação que a sala ouviu não era um vídeo gravado — era o mesmo produto que atende cliente de verdade.

A tese por trás do produto: atendimento que não para às 18h

Ensinar melhora o produto

Tem um efeito colateral de mentorar que ninguém comenta: você descobre onde o seu próprio produto é confuso.

Quando nove pessoas de contextos diferentes fazem perguntas sobre a mesma coisa, a pergunta repetida não é ignorância delas — é um buraco na sua explicação, ou no seu produto. Anotei mais de uma dessas nesses três dias, e algumas viraram tarefa.

Foi por isso que aceitei ser mentor. Não é ação de marketing: é a forma mais rápida que eu conheço de testar se o que eu construo se sustenta fora da minha cabeça.

Projeto entregue e apresentado no Pitch Day

O que eu levaria para qualquer imersão de IA

Se você vai participar de uma — a do Paris Group ou outra qualquer — leve isto:

  1. Um problema, não uma curiosidade. "Quero entender IA" rende conversa boa e zero entrega. "Perco venda porque demoro a responder no WhatsApp" rende produto.
  2. Acesso. Login do sistema, chave de API, contato de quem autoriza. Metade do tempo perdido em imersão é esperando alguém liberar acesso.
  3. Disposição de cortar escopo. Você vai chegar com uma ideia grande. Vai sair com um pedaço dela funcionando. Esse pedaço vale mais que a ideia inteira no papel.
  4. Alguém do lado. Não pela tecnologia — pelas decisões. A maior parte do valor de um mentor está em dizer "isso aí não precisa existir".

Com o time de mentores da edição

Fecho

Três dias, nove fundadores, nove projetos entregues. Uma ligação de IA que fez uma sala inteira parar para ouvir.

Se tem uma frase que resume o que eu vi ali, é a mesma que abre o meu site: produto no ar vale mais que slide bonito. A imersão funciona porque não deixa ninguém sair só com o slide.

Se você tem um gargalo que parece "coisa para IA resolver" e quer saber se dá para colocar no ar de verdade — me chama. Eu te digo inclusive quando a resposta é não.

Perguntas frequentes

O que é a imersão Founders AI do Paris Group?

É uma imersão presencial de três dias em Chapecó (SC) para fundadores, donos, CEOs e diretores, no formato que o Paris Group chama de Operator Sprint: blocos curtos de conteúdo alternados com blocos longos de execução. Cada participante chega com um gargalo real da própria empresa e sai com aquilo funcionando, apresentando o resultado num Pitch Day no terceiro dia.

Dá mesmo para sair com um produto de IA funcionando em três dias?

Dá, com duas condições. A primeira é escopo: o participante não constrói 'a IA da empresa', ele resolve um gargalo específico e nomeável. A segunda é proporção de tempo: a maior parte das horas é de execução, não de slide. Na edição em que fui mentor, os nove fundadores que acompanhei entregaram.

Qual a diferença entre um agente de IA que atende ligação e uma URA tradicional?

A URA segue uma árvore fixa: o cliente escolhe opções e qualquer coisa fora do roteiro trava. O agente de voz entende a fala livre, consulta os sistemas da empresa durante a conversa e executa a ação — abrir chamado, enviar segunda via, checar conexão. Na demonstração que fiz, a surpresa da sala não foi a voz soar natural, foi a chamada resolver de fato o pedido.

Quem foi mentorado nessa edição?

Empresários de setores diferentes, cada um com um gargalo operacional próprio. Por respeito aos projetos e aos negócios envolvidos, não divulgo nomes nem detalhes das empresas neste texto.

LS
Escrito por Lucas Silva
Construo produtos de IA em produção — do diagnóstico ao deploy.
Founders AIParis GroupMentoriaIA AplicadaConectaAIIA de VozImersão

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