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title: "Nove fundadores, três dias, nove projetos no ar"
description: "Fui mentor na imersão Founders AI do Paris Group, em Chapecó. Acompanhei nove empresários do gargalo real ao produto funcionando — e apresentei o ConectaAI com uma ligação atendida ao vivo por IA. O que faz uma imersão entregar em três dias."
slug: imersao-founders-ai-paris-group
lang: pt
date: 2026-08-17
updated: 2026-08-17
author: Lucas Silva
category: case
tags: [Founders AI, Paris Group, Mentoria, IA Aplicada, ConectaAI, IA de Voz, Imersão]
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faq:
  - q: "O que é a imersão Founders AI do Paris Group?"
    a: "É uma imersão presencial de três dias em Chapecó (SC) para fundadores, donos, CEOs e diretores, no formato que o Paris Group chama de Operator Sprint: blocos curtos de conteúdo alternados com blocos longos de execução. Cada participante chega com um gargalo real da própria empresa e sai com aquilo funcionando, apresentando o resultado num Pitch Day no terceiro dia."
  - q: "Dá mesmo para sair com um produto de IA funcionando em três dias?"
    a: "Dá, com duas condições. A primeira é escopo: o participante não constrói 'a IA da empresa', ele resolve um gargalo específico e nomeável. A segunda é proporção de tempo: a maior parte das horas é de execução, não de slide. Na edição em que fui mentor, os nove fundadores que acompanhei entregaram."
  - q: "Qual a diferença entre um agente de IA que atende ligação e uma URA tradicional?"
    a: "A URA segue uma árvore fixa: o cliente escolhe opções e qualquer coisa fora do roteiro trava. O agente de voz entende a fala livre, consulta os sistemas da empresa durante a conversa e executa a ação — abrir chamado, enviar segunda via, checar conexão. Na demonstração que fiz, a surpresa da sala não foi a voz soar natural, foi a chamada resolver de fato o pedido."
  - q: "Quem foi mentorado nessa edição?"
    a: "Empresários de setores diferentes, cada um com um gargalo operacional próprio. Por respeito aos projetos e aos negócios envolvidos, não divulgo nomes nem detalhes das empresas neste texto."
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Passei três dias em Chapecó como mentor da **Founders AI**, a imersão de IA do [Paris Group](https://www.parisgroup.ai/founders-ai). Acompanhei nove fundadores do gargalo real até o produto funcionando, e apresentei o ConectaAI para a sala — incluindo uma ligação atendida ao vivo por um agente de IA.

Este texto é o que eu tirei de lá. Não é relato de evento: é o que faz uma imersão dessas terminar com produto no ar em vez de terminar com um caderno cheio de anotações.

![Abrindo a apresentação do ConectaAI para a turma](/assets/b9768bb2-bae3-4bd5-a8ae-7ca851b306c3.jpg)

## O formato é o que segura a entrega

O Paris Group chama de **Operator Sprint**: bloco curto de conteúdo, bloco longo de execução, repetindo por três dias. Parece detalhe de agenda. Não é — é a decisão que define o resultado.

A imersão comum inverte essa proporção. Passa o dia inteiro explicando o que é RAG, o que é agente, o que é fine-tuning, e reserva a última hora para "colocar em prática". O participante sai com repertório e sem produto. Duas semanas depois, esqueceu o repertório também.

Quando a maior parte das horas é de execução, três coisas mudam. O participante bate no problema real ainda dentro da sala, com mentor ao lado — e problema real é sempre diferente do problema imaginado. A dúvida aparece no momento em que ela importa, não numa sessão de perguntas no fim. E o escopo se corrige sozinho: ninguém sustenta uma ideia grande demais quando precisa mostrar funcionando na quinta.

![Formato de execução: bloco curto de conteúdo, bloco longo de construção](/assets/23be9779-b229-44c9-9906-638a57d1fce3.jpg)

## O que trava não é a tecnologia

Mentorei nove fundadores nesses três dias. Nenhum deles travou por causa de modelo, prompt ou ferramenta. Todos travaram, em algum momento, no mesmo lugar: **escopo grande demais.**

O pedido chega quase sempre assim: "quero colocar IA no atendimento". Isso não é um projeto, é uma categoria. Não dá para entregar, não dá para testar, e principalmente não dá para saber se funcionou.

O trabalho do mentor, na prática, é quase todo aqui — transformar categoria em recorte:

- "IA no atendimento" vira "responder as cinco perguntas que representam 70% do volume do WhatsApp"
- "automatizar o comercial" vira "qualificar o lead e agendar na agenda certa, sem humano no meio"
- "usar IA nos dados" vira "responder em linguagem natural as três perguntas que o dono faz toda segunda-feira"

Repare no padrão: o recorte bom tem número, tem dono e tem um jeito óbvio de saber se deu certo. Depois que o escopo fica desse tamanho, três dias é tempo de sobra. Antes disso, três meses não bastam.

**Os nove entregaram.** Não porque a ferramenta era mágica, mas porque o problema tinha o tamanho certo.

## A demonstração: uma ligação atendida por IA, ao vivo

No segundo momento eu apresentei o **ConectaAI** — o call center de IA que a gente construiu para provedores de internet — para cerca de cinquenta pessoas.

Podia ter mostrado slide de arquitetura. Preferi ligar.

![A demonstração: uma ligação atendida ao vivo por um agente de IA](/assets/f7b8de39-07e6-46b7-a200-7339a4ab0ce3.jpg)

A ligação foi atendida por um agente de IA, ao vivo, na frente da sala. A pessoa falou como fala com qualquer atendente — sem menu, sem "digite 1", sem falar devagar para a máquina entender.

O que surpreendeu a sala não foi a voz soar natural. Voz natural já virou commodity: qualquer um monta uma demo bonita com TTS bom. O que muda o jogo é o agente **fazer** algo enquanto conversa — consultar o sistema do provedor, confirmar dados do assinante, executar a ação e responder com informação real, não com texto genérico.

É essa a diferença entre demo e produto, e é a mesma tese que eu repito no resto do site: **atendimento que não para às 18h.** A ligação que a sala ouviu não era um vídeo gravado — era o mesmo produto que atende cliente de verdade.

![A tese por trás do produto: atendimento que não para às 18h](/assets/d3ee5e3d-5162-4bb0-a845-3c24234d8ffd.jpg)

## Ensinar melhora o produto

Tem um efeito colateral de mentorar que ninguém comenta: você descobre onde o seu próprio produto é confuso.

Quando nove pessoas de contextos diferentes fazem perguntas sobre a mesma coisa, a pergunta repetida não é ignorância delas — é um buraco na sua explicação, ou no seu produto. Anotei mais de uma dessas nesses três dias, e algumas viraram tarefa.

Foi por isso que aceitei ser mentor. Não é ação de marketing: é a forma mais rápida que eu conheço de testar se o que eu construo se sustenta fora da minha cabeça.

![Projeto entregue e apresentado no Pitch Day](/assets/4941bb5a-b76b-4d22-8c2a-96f3aa21035f.jpg)

## O que eu levaria para qualquer imersão de IA

Se você vai participar de uma — a do Paris Group ou outra qualquer — leve isto:

1. **Um problema, não uma curiosidade.** "Quero entender IA" rende conversa boa e zero entrega. "Perco venda porque demoro a responder no WhatsApp" rende produto.
2. **Acesso.** Login do sistema, chave de API, contato de quem autoriza. Metade do tempo perdido em imersão é esperando alguém liberar acesso.
3. **Disposição de cortar escopo.** Você vai chegar com uma ideia grande. Vai sair com um pedaço dela funcionando. Esse pedaço vale mais que a ideia inteira no papel.
4. **Alguém do lado.** Não pela tecnologia — pelas decisões. A maior parte do valor de um mentor está em dizer "isso aí não precisa existir".

![Com o time de mentores da edição](/assets/efd84207-ee74-432d-843c-b9be9a735d74.jpg)

## Fecho

Três dias, nove fundadores, nove projetos entregues. Uma ligação de IA que fez uma sala inteira parar para ouvir.

Se tem uma frase que resume o que eu vi ali, é a mesma que abre o meu site: **produto no ar vale mais que slide bonito.** A imersão funciona porque não deixa ninguém sair só com o slide.

Se você tem um gargalo que parece "coisa para IA resolver" e quer saber se dá para colocar no ar de verdade — [me chama](https://www.lucassilva.io/#contact). Eu te digo inclusive quando a resposta é não.
